Depois de muito tempo sem escrever...eis que retorno.
Mas, explico...enfrentamos alguns contratempos com nosso filho menor e, entre outras coisas, isso me impediu de escrever.
Hoje quero mais desabafar e olha que já faz tempo que quero escrever sobre isso.
Acredito que seja muito importante para outras mamães e papais que eu compartilhe essa experiência.
Nosso filho tem agora 1 ano e dois meses de idade. Desde que nasceu sempre foi muito agitado, percebíamos que ele reclamava muito e parecia se de dor. Mas, dor no que? Nossa pediatra o acompanhava sempre e a única coisa que sabíamos que ele tinha era refluxo, o que imaginávamos causar um grande desconforto nele. Porém, o remédio não adiantava por muito tempo. Parávamos de dar, voltava o problema.
Outra característica era que o pequeno sempre estava gripado. Nariz sempre escorrendo, infecção de ouvido, essas coisas que são consideradas normais em crianças que tem contato com outras crianças e, no nosso caso, temos a nossa filha mais velha
Vinte dias antes de ele completar 1 aninho, foi diagnostico que ele estava com bronquiopneumonia. Iniciamos o uso do antibiótico e seguimos acompanhando. Tres dias depois do início do antibiotico, um sábado, meu pequeno não acordou bem. Não quis mamar pela manhã, nao fez coco o dia inteiro e, no final da tarde, começou a vomitar o pouco que havia comido naquele dia.
Corremos para o hospital. No pronto socorro, seu quadro nao melhorou e, é claro, desidratado, foi internado. Porém, ninguém sabia o que ele tinha. Os vômitos nao paravam, nenhum remédio que era dado para ele fazia efeito e pior, ele se contorcia de dor.
Como ele estava tomando penicilina para a pneumonia (que depois descobrimos que nao existiu de fato), as pessoas diziam que isso era dolorido na veia e causava a dor.
Os dois dias que se seguiram foram um tormento para meu marido e eu. Víamos nosso pequeno piorar e as "médicas" que por lá apareciam não sabiam me dizer o que ele tinha de fato.
Uma delas chegou a pedir aquele exame de Meningite. Mesmo desconfiada que não era isso, pois ele nao apresentava os sintomas, concordamos em fazer. A sensação de ver uma pessoa colocando uma agulha enorme na coluna do seu bebê é indescritível.
Imaginem a mistura de sentimentos ao receber a notícia que o resultado só saíra daqui 4 horas e, ao sair o resultado, não tinha médico para interpreta-lo? Meu marido quase desceu no Pronto Socorro para achar um médico. O resultado foi negativo.
Ao mesmo tempo que uma sensação de alívio me invadia, outra preocupação crescia: o que ele tem, afinal?
Suas dores nao paravam, nao dormíamos, ele nao comia, só no soro. Sua barriga estava tão grande que mal conseguia colocar a fralda e NENHUM médico escutava o que eu dizia. No fundo, eu sabia que era mais grave e um medo de perder meu pequeno invandiu meu coração.
Com dois dias de hospital, eu já estava "dando meu pulos". Hospital de prestigio, bem conceituado e eu nao encontrava um medico sequer que me ouvisse e notasse que não era problema de estomago que meu filho tinha.
Comecei a procurar outro hospital para transferi-lo. Foi quando consegui o telefone do chefe da pediatria e passei a "perturba-lo", a principio, sem sucesso.
Na segunda-feira, meu pequeno começou a vomitar algo marrom, descrito como "bilis". E por isso ficou...como se fosse absolutamente normal. Ele chorava de dor, se contorcia, nao comia, nao fazia cocô desde sábado e os "médicos" achavam tudo aquilo normal.
Eu me sentia ignorada completamente como mãe, pessoa e ser humano.
Na segunda, quatro horas da tarde, eis que surge uma médica da equipe do chefe da pediatria. Ela mal entrou no quarto, eu já dei meu show. Falei tudo o que estava acontecendo e que nenhum médico atá agora tinha me dado a devida atenção. Meu pequeno, então, fez o show dele também: vomitou em cima dela!
Quando ela viu o estado dele, solicitou os exames adequados com uma urgencia que nao tinha visto antes...foi aí que meu coração teve a certeza de que tudo seria muito mais complicado do que eu estava pensando. DIAGNÓSTICO: Invaginação intestinal! SOLUÇÃO: operação com urgencia.
O intestino dele "entrou um dentro do outro"
O diagnostico foi dado em 20 MINUTOS! E duas horas depois meu filho estava sendo operado!
Foram os 50 minutos mais longos da minha vida! A operação foi bem tranqüila e correu tudo bem.
Meu filho foi para UTI e, por lá, ficamos mais uns 5 dias.
Nos dois primeiros dias de UTI, eu nao reconhecia meu pequeno. Quieto, parado, só mexia os olhinhos, sem expressão. Uma das médicas me disse: "Ele esta com medo de se mexer, mãe. Precisamos incentiva-lo."
Não deixei para depois. Fui ao ladinho dele e sussurei no seu ouvidinho: "Pequeno, você é forte. O pior já passou, voce venceu e esta aqui comigo, com o papai e logo, logo com a sua irmã. Mas, para isso, você precisa se mexer. Vai doer um pouquinho, mas passa. Voce consegue!"
No dia seguinte, meu pequeno voltava! Acordou com tudo! Arracando todos os fios, berrando...rsrsrsrsrs...meu coração aliviou.
O médico veio ve-lo e me disse: "Mãe, agora ele precisa soltar um 'punzinho' e começar a fazer cocô para podermos libera-lo para o quarto e liberar a dieta"
Foi então que entrei em ação novamente...rs...Falei para ele que ele precisava fazer cocô...bem fedido...muito cocô...para deixar todo mundo de cabelo em pé e expulsar a gente dali.
Fui para casa na hora do almoço, pois nao via minha pequena há dias. Descansei um pouco e meu marido me ligou com a noticia mais maravilhosa do mundo: O pequeno tinha feito cocô! Seriam liberados para o quarto.
Me diz se esse garoto não é obediente!!!! rsrsrsrs
Acreditem! Nunca um cocozinho foi tão importante!
Imaginem quantas coisas inúteis nós damos importancia, brigamos, nos irritamos. E nós lá...esperando um cocozinho. Foi o passaporte do meu filhote para a vida!
Depois disso, meu pequeno NUNCA mais teve uma gripe sequer. Sua saúde melhorou muito e refluxos nunca mais. O que é totalmente compreensível, pois o intestino é responsável por absorver todos os nutrientes (proteínas, vitaminas, sais minerais, lipídios, ácidos graxos, etc). Ele processa, envia para a corrente sanguinea e descarta o que nao serve mais. Como o dele não funcionava direito...
Mas, com isso, quero dar vários alertas para mamães e papais, mesmo os mais experientes.
Foi minha primeira vez no hospital com um filho internado e a falta de conhecimento em algumas coisas me fez passar por várias situações horríveis. O pediatra de meu filho me disse, depois, que ele tinha 6 horas para ser operado, senão....ia se fatal.
ALERTAS:
- Questionem os médicos sempre. Ao receber uma visita, no caso de internação, pergunte se o médico nao é residente (tipo estagiário). Ele nao pode fazer visitas sozinho. (Aconteceu comigo!)
- Conheçam os sintomas das doenças mais comuns para também questionar. A maioria dos médicos nos tratam como total ignorantes. (Aconteceu comigo!)
- Exijam exames para comprovar o diganóstico
- Se for necessário, peçam uma segunda opinião do seu médico de confiança. Não importa o que eles vao achar, é a vida do seu filho. (Eu fiz isso!)
- Olhem e perguntem sobre tudo que colocam no soro ou na veia do seu filho. Confira, anote o nome dos remédios e freqüência. (Perguntava tudo!)
- Fiquem atentos às reações e reclamações dos seus filhos. Quando eles falam é melhor, mas nem sempre é assim.
- Tenham, em casa, um livro como Guia da Sáude, ou algo assim. Eu recomendo: "O guia completo da Saúde - Carta da Saúde - Universidade da Califórnia - Berkeley". Vale a pena!
- O que aconteceu com o meu pequeno é muito comum em meninos ANTES de 1 ano.
- Observem o histórico familiar (avós e tias). Nesse caso, minha sogra teve câncer de intestino.
Bem...apesar de extenso, acho importante compartilhar tudo isso.
Mas, o que quero deixar de mensagem para todos é:
"Prestem atenção nas coisas mais simples da vida e gaste energia naquelas que são realmente importantes!"
Bom fim de semana a todos!
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